A geração do imediatismo teve que forçadamente se desacelerar. Novos planos, novas maneiras de viver e principalmente, novas prioridades com a chegada da pandemia.

Pensando na questão de adaptação com esse novo momento, fomos uma geração que “tecnicamente” não teve grandes problemas ao se adaptar ao novo esquema de uma vida tecnológica. Crescemos usando ferramentas que só foram descobertas recentemente por outras gerações, o que tornou essa transição para nós muito mais sutil.

Por outro lado, foi uma geração que foi muito abalada psicologicamente. A saúde mental está sendo uma pauta importantíssima desde o começo da pandemia. Ansiedade e depressão foram alguns dos diagnósticos mais recorrentes nos últimos tempos por conta desse momento de tantas incertezas, medo e solidão. Pela primeira vez, pessoas de todas as faixas etárias trataram sobre a questão abertamente. O assunto finalmente deixou de ser um tabu, provando à todos a seriedade da questão.

Responsabilidade social é um termo que define bem essa geração. Sobre a questão da filantropia, durante esse período houve uma conscientização de que nós mesmos precisávamos fazer parte dessa mudança de uma forma ativa, não podíamos esperar sentados. Pensar no singular não foi uma opção, tivemos que pensar no coletivo. Jovens começaram a perceber que também poderiam se mobilizar, muitas vezes usando suas redes sociais como ferramenta para isso. A empatia e a solidariedade foram afloradas como consequência desse momento difícil.

Profissionalmente surgiram várias mudanças significativas. Um tempo de muita instabilidade em que muitos planos acabaram ficando para depois. Sem previsão de volta ao escritório, empresas fazendo cortes e congelando processos seletivos. Para quem está no começo da carreira, essa instabilidade é mais um motivo para instigar a ansiedade através da incerteza e falta de perspectiva profissional.

Um tempo também de ressignificação profissional. Primeiramente pela busca de estar contribuindo com a sociedade, através de um trabalho com propósito. Estar em uma empresa que tenha valores semelhantes com os seus valores pessoais se evidenciou como prioridade. Houve também a descoberta de que, com tempo de sobra, seus hobbies poderiam se profissionalizar, e possivelmente se tornando em uma fonte de renda. Além da maior descoberta, que foram os novos modelos de trabalho que surgiram e se provaram muito eficazes.

A importância da escuta, a importância do respeito e a importância de olhar para dentro vieram à tona com o excesso de convivência familiar. Junto à tantas incertezas, a presença da família e amigos próximos ganhou muito valor.

Sobretudo, a pandemia me serviu como um tempo de reinvenção. Sobre simplificar soluções, repensar as queixas, agradecer pelos privilégios e pensar no coletivo.

  • Formada em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Univeristário Belas Artes de São Paulo. Trabalhos realizados em design de interiores e projetos de incorporação imobiliária. Interessada em temas relacionados à urbanismo como meio de melhoria de qualidade de vida. Fundadora do Projeto Com Junto, espaço de troca de experiências e conhecimento entre profissionais e jovens participantes de projetos sociais sobre temas relevantes.

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