Quem já está dentro do círculo

Depoimento completo - Zelia Frangioni +

Conheci a Maria Laura em 2002. Acompanhei a adaptação dessa argentina que chegou com 3 meninos pequenos no Brasil. Nossos filhos estudaram juntos e ficaram muito amigos, nós também.

Acompanhei o divórcio dela e também as diversas fases da sua doença autoimune. Algumas vezes, ao longo dos anos, ela sumia por semanas, sem nem atender o telefone de tão mal que estava, seja física ou psicologicamente por causa da doença. Vimos juntas nossos filhos terminarem a escola, irem estudar fora e vivemos juntas todas as emoções que isso gera. Assisti de camarote a transformação dela tanto na área pessoal quanto profissional.

Ela adora analisar comportamentos e situações e, como fez centenas de horas de terapia durante sua vida, tem sempre um jeito diferente de analisar as coisas. Ela repara em cada detalhe que você não vai acreditar! Isso a colocou numa posição de geralmente ser capaz de trazer um ponto de vista único e mais aprofundado das coisas que estamos vivenciando, o que para as amigas é fantástico, nos ajuda a entender melhor o mundo ao nosso redor.

Hoje, ela parece mais brasileira que eu (exceto no português, claro!), superou o divórcio e encontrou um novo amor. A doença vai e volta, ela apanha e se levanta, e, para mim, é dali que ela tira as melhores lições de vida.

Maria Laura não tem formação em psicologia. Ela tem formação em design de interiores e coach. Na prática, mesmo antes desse curso, ela já era essa mulher que influenciava e transformava pessoas que, como ela, passam por percalços e desafios pessoais. Ela ama conversar, ouvir, estudar sobre o comportamento humano e generosamente compartilhar isso. Inúmeras vezes nesses anos todos vi essa experiência de vida transbordar em conversas, seja em festas, reuniões ou encontros na porta da escola. Ela começa a falar com uma ou duas pessoas, já já tem umas dez grudadas ali ouvindo, compartilhando suas histórias, trocando ideias com ela.

Um dia, em outubro de 2017, uma crise da doença de Chron a deixou travada na cama, sem poder exercer a profissão de decoradora em que ia bem. Ali eu a vi chorando, sem ver saída para continuar trabalhando com essa limitação física intermitente. Eu fiz um comentário e de repente vi seu espírito gigante se levantar daquele corpo encolhido, vi a cabeça dela começar a funcionar a mil por hora e a criar algo do zero.  O comentário foi : “Você já reparou o quanto você ajuda e influencia pessoas ao seu redor em relação a comportamentos e relações pessoais? Reparou o quanto as pessoas param para ouvir você falar, pedem sua opinião e seu ponto de vista? (ela não tinha reparado) É possível essa sua paixão e sua habilidade virarem um negócio que seja compatível com sua doença?”. Em períodos de crise da doença, não dá para visitar obras nem ir a lojas de decoração, mas dá para pesquisar e produzir conteúdo que fora da crise pode virar palestras, vídeos, encontros, etc, que ajudem outras pessoas.

Por acaso, isso aconteceu justamente quando nós e nossas amigas já estávamos encarando os novos desafios pessoais que chegam oos 50 anos. Só quem está nessa fase entende o que é isso. Eu só fiz aquele comentário, foi uma faísca. A experiência e o conteúdo já estavam lá na cabeça dela. Mas ela foi mais longe, fez uma curadoria dos temas específicos para mulheres maduras, pesquisou, se aprofundou nos assuntos e criou o Caminho do Encontro. Ela largou a decoração, driblou a doença mais uma vez e, resiliente que é,  se transformou de novo. Agora ela ajuda não só as amigas, mas também outras mulheres que se sentem de alguma forma perdidas e que ela acolhe em seus eventos presenciais e virtuais.

Meu testemunho é que vi a transformação dela e vivi a minha com ajuda do que ouvi da boca dela. E O Caminho do Encontro é o espaço que ela cuidadosamente construiu para ajudar cada uma de nós na nossa adaptação, e eventualmente até na transformação, aos 50. Com ele, ela nos ajuda a “ressignificar a maturidade” (palavras dela que acho perfeitas para o que estou passando!). Fico feliz de fazer parte.

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